Comprar uma casa, trocar de carro ou fazer outra compra de valor mais alto é um sonho que nem sempre dá para realizar pagando tudo de uma vez. É nessa hora que o financiamento pode aparecer como uma possibilidade.
Junto com ele também vêm muitas dúvidas: o banco paga a compra? Precisa dar entrada? Como funcionam os juros? Quanto vou pagar no final? E o que acontece se uma parcela atrasar?
Você não precisa entender de finanças para começar a pesquisar. O mais importante é saber quanto está financiando, quanto vai pagar no total e se esse compromisso realmente cabe nas contas da casa.
Neste artigo, vamos explicar como funciona o financiamento na prática, quais são os principais custos e o que observar antes de assinar um contrato.
O que é financiamento?
Financiamento é uma forma de comprar um bem sem precisar ter todo o dinheiro naquele momento.
Uma instituição financeira, como um banco, disponibiliza o valor necessário para a compra. Depois, você devolve esse dinheiro aos poucos, pagando as parcelas previstas no contrato.
Essas parcelas incluem o dinheiro que foi financiado e os custos da operação, como o acréscimos dos juros. Por isso, ao final, o total pago normalmente será maior do que o valor financiado.
Vamos imaginar uma situação simples:
Você quer comprar um carro de R$ 50 mil e tem R$ 10 mil para dar de entrada. Nesse caso, ainda faltam R$ 40 mil.
Se o financiamento for aprovado, a instituição financeira disponibiliza esses R$ 40 mil para a compra e você passa a pagar as parcelas de acordo com as condições contratadas.
É justamente aqui que merece atenção: não olhe somente para o preço do carro ou para o tamanho da parcela. Confira também quanto você terá desembolsado quando terminar de pagar o financiamento.
Leia mais: Dicas para comprar o primeiro carro
Como funciona um financiamento na prática?
As regras dependem do banco, da financeira e do tipo de financiamento. Mas, normalmente, o processo segue algumas etapas:
1. Você escolhe o que pretende comprar
Primeiro, é preciso saber o que será financiado e quanto dinheiro será necessário. Dois exemplos bastante conhecidos são o financiamento de imóvel e o financiamento de veículo.
2. Você solicita o financiamento
Depois de escolher o bem, você procura uma instituição financeira para solicitar o crédito. Ela poderá pedir documentos e informações sobre sua renda e sua situação financeira.
3. A instituição analisa o pedido
O banco ou a financeira verifica se poderá conceder o financiamento e quais condições poderá oferecer.
Nessa análise, podem ser consideradas informações como renda, histórico de pagamentos, valor da compra, entrada e outros compromissos financeiros que você já possui.
Por isso, solicitar um financiamento não significa que ele será automaticamente aprovado.
4. Você recebe a proposta
Se houver aprovação, chega uma das etapas mais importantes: conferir quanto aquele financiamento vai custar.
Antes de aceitar, observe:
- quanto será financiado;
- quanto será dado de entrada;
- quantidade de parcelas;
- valor de cada parcela;
- taxa de juros;
- Custo Efetivo Total (CET);
- outros custos previstos;
- valor total que será pago;
- regras em caso de atraso.
Se alguma informação não estiver clara, pergunte antes de continuar.
5. Você lê e assina o contrato
Se estiver de acordo com a proposta, o financiamento é formalizado.
Leia o contrato antes de assinar e preste atenção especialmente às condições de pagamento, juros, multas, atrasos e demais cobranças.
Depois da contratação, as parcelas deverão ser pagas nas datas estabelecidas até a quitação da dívida.
O que são os juros do financiamento?
Juros são parte do custo cobrado pelo uso do dinheiro disponibilizado pela instituição financeira.
Imagine que você financie R$ 30 mil. Isso não significa que, no final, terá pagado somente R$ 30 mil. Haverá juros e também podem existir outros custos previstos na operação.
Por isso, uma parcela menor nem sempre significa um financiamento mais barato.
Um prazo maior pode diminuir o valor pago a cada mês, mas também pode fazer com que você pague por mais tempo e tenha um custo total maior.
Na hora de comparar, procure saber: Quanto vou pagar por mês? E quanto terei pagado quando terminar o financiamento?
As duas informações são importantes.
O que é CET e por que você deve olhar para ele?
CET significa Custo Efetivo Total. E você provavelmente vai encontrar essa sigla quando pesquisar um financiamento.
Em palavras simples, ele ajuda a mostrar quanto aquela operação custa considerando os juros e outros encargos e despesas incluídos no crédito.
Isso é importante porque duas propostas podem parecer semelhantes e, ainda assim, apresentar custos diferentes.
Imagine que você consulte dois bancos. Um oferece uma taxa de juros menor, mas possui outros custos. O segundo apresenta condições diferentes.
Se você olhar somente para os juros ou para o valor da parcela, pode não perceber toda a diferença.
Por isso, ao comparar propostas, peça para ver também o CET.
O que é entrada no financiamento?
Entrada é a parte da compra que você paga com seu próprio dinheiro.
Imagine um imóvel de R$ 200 mil. Em um exemplo simplificado, se você der R$ 40 mil de entrada, ainda restarão R$ 160 mil para financiar.
Quanto maior a entrada, menor pode ser o valor que precisará ser financiado. Dependendo das condições oferecidas, isso pode reduzir as parcelas ou o custo da operação.
Mas existe outro cuidado importante: não olhe apenas para a possibilidade de dar a maior entrada possível. Pense também na possibilidade de não ficar sem reserva, no dinheiro necessário para manter as contas da casa e lidar com imprevistos.
Usar tudo o que você tem na entrada e ficar sem nenhuma reserva pode trazer outro problema depois.
Qual é a diferença entre financiamento e empréstimo?
Os dois envolvem crédito, mas não funcionam exatamente da mesma maneira.
No financiamento, o dinheiro é destinado a uma finalidade determinada, como a compra de um carro ou imóvel. Em muitos tipos de empréstimo, o dinheiro pode ser usado de maneira mais livre.
Juros, prazos, garantias e outras condições também podem variar. Por isso, compare as regras e os custos antes de contratar qualquer uma das opções.
Quais são os tipos de financiamento mais comuns?
Existem diferentes tipos de financiamento. Dois deles fazem parte de sonhos bastante comuns das famílias brasileiras.
Financiamento de imóvel
É usado na compra de uma casa ou apartamento.
Como o valor de um imóvel costuma ser alto, o pagamento pode durar muitos anos. Isso torna ainda mais importante avaliar se a prestação cabe no orçamento não apenas hoje, mas também no longo prazo.
Além da prestação, lembre‑se de pesquisar os demais gastos envolvidos na compra e na manutenção do imóvel.
Leia mais: Entenda se é melhor comprar apartamento na planta
Financiamento de veículo
Pode ser utilizado para comprar carro, moto ou outros veículos, conforme as condições oferecidas pela instituição.
Nesse caso, faça as contas além da parcela.
Um carro, por exemplo, também traz despesas com combustível, manutenção, impostos, seguro e outros gastos.
Se a parcela cabe no orçamento, mas os demais custos não cabem, a compra pode acabar pesando mais do que parecia.
Como saber se um financiamento cabe no orçamento?
Antes de assumir uma prestação por vários meses ou anos, coloque no papel quanto entra e quanto já sai da sua casa todos os meses.
Imagine este exemplo:
- renda mensal da família: R$ 4.000,00;
- contas e compromissos do mês: R$ 3.000,00;
- sobra: R$ 1.000,00.
Isso não significa que seja uma boa ideia assumir automaticamente uma prestação de R$ 1.000,00. Se toda a sobra ficar comprometida, qualquer imprevisto pode desorganizar as contas.
Por isso, antes de contratar, faça uma pergunta simples: Depois de pagar a prestação, ainda sobra algum dinheiro para os outros gastos e imprevistos do mês?
Também pense no prazo. Uma parcela que cabe hoje precisará continuar cabendo nos próximos meses ou anos.
Aprenda a organizar seu orçamento familiar
Quanto maior o número de parcelas, melhor?
Não necessariamente. Quando a prestação fica menor, a proposta pode parecer mais fácil de pagar. Só que aumentar o número de parcelas significa permanecer com aquele compromisso por mais tempo e pode aumentar o custo total.
Compare sempre:
- o valor mensal da parcela;
- a quantidade de parcelas;
- o valor total que será pago.
Uma prestação precisa caber no orçamento, mas o custo final também merece atenção.
O que acontece se eu atrasar as parcelas?
As consequências dependem das condições previstas no contrato. Um atraso pode gerar juros, multa e outros encargos. Dependendo do tipo de financiamento e da situação, também podem existir consequências relacionadas ao próprio bem financiado.
Por isso, antes de assinar, leia o contrato com atenção. E se uma dificuldade aparecer depois da contratação, procure a instituição pelos canais oficiais para entender as alternativas disponíveis.
Leia mais: Veja como pagar contas em atraso
O que analisar antes de fazer um financiamento?
Você não precisa decorar termos financeiros. Antes de decidir, tenha estas respostas:
- Eu preciso fazer essa compra agora?
- Quanto consigo dar de entrada sem ficar sem dinheiro para outras necessidades?
- A prestação cabe nas contas da casa?
- Ainda haverá alguma folga depois de pagar a parcela?
- Quantas parcelas serão?
- Quanto vou pagar no total?
- Qual é o CET?
- Existem outros custos?
- O que acontece se houver atraso?
- Comparei propostas de instituições diferentes?
Se ainda houver dúvida sobre alguma dessas informações, procure esclarecê‑la antes de assinar.
Um financiamento pode acompanhar sua família por bastante tempo. Pesquisar com calma faz parte da decisão.
Financiamento vale a pena?
Não existe uma única resposta. O financiamento pode possibilitar uma compra importante sem que você precise ter todo o valor naquele momento. Ao mesmo tempo, significa assumir parcelas e outros custos durante determinado período.
Por isso, em vez de olhar somente para a pergunta “consigo pagar a parcela?”, pense também: “Consigo manter essa parcela junto com as outras contas da casa durante todo o financiamento?”
Essa pergunta ajuda a enxergar o compromisso de forma mais completa.
Como se proteger de golpes envolvendo financiamento?
O cuidado precisa começar antes de fornecer documentos ou fazer qualquer pagamento.
Desconfie de ofertas muito diferentes das encontradas no mercado e de pessoas que pressionam você para decidir rapidamente.
Antes de contratar:
- procure a instituição pelos canais oficiais;
- confirme com quem você está falando;
- leia a proposta antes de pagar qualquer valor;
- não compartilhe senhas ou códigos recebidos no celular;
- desconfie de promessas de aprovação garantida;
- tenha cuidado com pedidos de pagamento antecipado para supostamente liberar o financiamento.
Recebeu uma proposta por mensagem e ficou em dúvida? Não use os contatos enviados na própria mensagem para confirmar. Procure você mesmo o site, aplicativo, telefone ou agência oficial da instituição.
Importante: Aprenda a se proteger de golpes financeiros
Financiamento não precisa ser um assunto assustador
Entender como funciona o financiamento não exige conhecer todas as palavras usadas pelos bancos.
Comece pelo que realmente importa: saiba quanto precisa financiar, qual será a entrada, quanto pagará por mês, por quanto tempo e qual será o custo total.
Depois, coloque a parcela junto das contas que você já tem. Veja se ainda haverá espaço para alimentação, moradia, saúde, transporte e possíveis imprevistos.
Se alguma informação estiver confusa, pergunte. Se a parcela estiver apertada, refaça as contas. Se outra instituição oferecer uma proposta, compare as condições antes de escolher.
Antes de assinar, leve a proposta para casa, leia com calma e confira principalmente a parcela, o número de prestações, o CET e o valor total a pagar. Esse pequeno cuidado pode ajudar a transformar uma compra importante em um compromisso que faça sentido para o orçamento da família.
